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domingo, 6 de outubro de 2013

Antero Vaz de Andrade: O Amor nos Tempos do Tablet

O Amor nos Tempos do Tablet


Queria te ver
saber quem você é
o que gosta
onde está
como é!

Queria muito te ver
conhecer
ver teus olhos
teu olhar
teu pensar!

Ah! Como eu amaria te amar
e ficar só assim
muito tempo no teu corpo
uma eternidade no teu pensamento e no meu.

Muitos aconchegos,
suspiros e ais!

Queria muito
que este texto fosse um poema!
Um poema de amor a ti dedicado
que fizesse a magia
de teu coração conquistar.

Mas a vida não é doce,
o mar não é azul,
poeta é tudo abestado, e vive do passado.

E tua foto-avatar é de outra pessoa!
(Antero Vaz de Andrade)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Antero Vaz de Andrade Sussuro Teu Nome ao Vento!





Sussuro Teu Nome ao Vento!
(Antero Vaz de Andrade)

Há muito trago em meu peito
Um liame mais lindo e feliz que à porta não cabe.

Não choro! Os olhos rasam d'água, mas não choro.

Há muito trago em meu peito
a dor de conhecer o mais perfeito amor;
E por ele ser ferido, em golpe certeiro,
de centenária dor.

Há em mim esta dor latente.
Não é uma dor que haja remédios a tomar.

Alguns talvez a isso se quedam,
e ficam loucos, internados em hospícios.

A dor que há em mim é muito grande,
é muito forte,
é gigantesca,
megantesca,
terantesca.

Tão grande é a minha dor no peito
que mal consigo perceber o quê,
de bem ou mal,
existe tão próximo de mim.

É uma dor que não tem fim!

Por tal razão sou um predestinado
e vivo a colher poemas que não plantei;

Vivo a esquecer o mundo que não vivi;

Vivo a reclamar da rotina que não tivemos.

Há em mim esse momento triste.
E que não é momento: É eterno
e triste!

Faço versos a quem não os lê!
Faço contas de quem não me vê!

Relato atos que não existem
pois vivo de um amor que inexiste,
e faço amor com um corpo que não vejo!

E nem o pego, -- e nem o sinto, --  imagino.
Não! Nem sequer imagino.

"Eu faço versos como quem morre!"(¹)

Por isso se a alguma alta hora -- Alegres Gentes --
pressentirem que não mais existo,
não chorem os meus tristes áis,
nem pensem que não quis ir, agora.

A Ela:
Espero-te do outro lado da estrada,
se é que alguma coisa de meu amor em ti,
foi verdadeiro.

Por isso espero a derradeira hora,
com alegria a saudar-me o peito.

Finalmente a alegria o encherá novamente.

Eu olho os rostos que passam na estrada.
Nenhum deles é o teu.

Cansado, durmo. E sonho então que amei sozinho;
e que nest'outra vida
sofrerei novamente um amor sem meio!

Já teremos água
a matar-me a sede,
para que, ao final de um verso,
eu não revele o teu nome. (²)
"Eu faço versos como quem morre"(³)
e deste estreito amor em via única
sussurro teu nome ao vento,
e louco,
quero que retorne!

Mas não há eco a revelar teu nome!
(Antero Vaz de Andrade)
(¹) Manuel Bandeira
(²) Olavo Bilac
(³) Manuel Bandeira
Curtir · · · 3 de dezembro de 2012 às 16:22




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